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Ano novo, vida nova. Será? 

Construindo uma vida mais valorosa e mais coerente em 2024





Olá meus queridos, já estava com muitas saudades de escrever e compartilhar com vocês, mas estive sumida, depois de alguns meses, devido a muitos processos internos e transformações que passei por estar gestando, mas agora me sinto pronta para escrever aqui novamente. Além disso, decidi fazer o primeiro post do ano sobre um assunto que eu amo e já citei pelo menos algumas vezes em textos anteriores, pois realmente para mim é a coluna vertebral da nossa saúde mental e física: aprendermos a sermos coerentes. Além disso, nada melhor do que o início de um novo ano para darmos start - de fato - na mudança que queremos ser e não esperar que o ano novo nos traga mudanças sem a gente mudar. Como diria Einstein, “sinônimo de loucura é fazer as mesmas coisas sempre querendo ter um resultado diferente”. Dessa forma, o seu ano só será novo, se você assim decidir que seja e, portanto, precisamos aprender a dar novas respostas a situações que se repetem nas nossas vidas, assim como construir novos hábitos e novas mentalidades para que possamos construir uma vida baseada nos nossos valores.


Dessa forma, bonjour meus amores. Agora sim, um feliz ano novo a todos e que possamos de fato fazer o que precisa ser feito para nos tornar a mudança que desejamos. Então, para começar, acredito ser importante especificar aqui o significado dessa palavrinha que tanto falo, a tal da coerência. A origem da palavra “coerência” vem do latim cohaerentia, que significa “conexão” ou “coesão”. Dessa forma, viver em coerência é estar alinhado com o que pensamos, com o que sentimos e o que fazemos. Além disso, é termos bem definido o que são valores de vida para nós mesmos, pois estar em coerência está vinculado com a nossa capacidade de nos colocarmos em movimento na vida sempre em conexão com os nossos valores, com aquilo que de fato importa para cada um de nós. Assim como, coerência é  também termos coragem de dizer sim quando queremos dizer sim; e de dizer não quando queremos dizer não, se isso de fato for o que fizer sentido para gente naquele momento. Ser coerente é basicamente aprender a se respeitar. Ser coerente é um grande e profundo gesto de amor a nós mesmos. 


Quando uma pessoa vive em coerência e em harmonia com seus desejos profundos, com aquilo que faz sentido para si, se respeita e ao mesmo tempo respeita o próximo, para mim isto é uma das pedras angulares, e das mais profundas, de uma vida repleta de significado. Assim como, isto contribui na melhora da saúde emocional e física, como mencionei acima e é um dos segredos para vivermos uma vida com mais paz, pois todos nós queremos e almejamos pela paz, mesmo as vezes não sabendo que é isto que desejamos. 

Porém, para estarmos em coerência, precisamos estar dispostos a passar por alguns desafios, e um deles é aprender a desagradar e abrir mão, muitas vezes, do que os outros pensam de nós mesmos. Isto não significa, em nenhuma hipótese, desconsiderar a opinião do outro ou o que é importante para o outro, mas sim de nos firmarmos no que é importante para nós de verdade, mesmo que isto, em algum momento, impacte o que o outro irá pensar sobre mim. 


Porém, como vivemos em sociedade e precisamos das relações para vivermos, seja no âmbito pessoal, seja no âmbito familiar ou profissional,  muitas vezes vamos ter que aprender a conciliar a nossa coerência com o que importa e faz sentindo também para as pessoas que amamos e nos relacionamos. Porém não podemos esquecer que a nossa jornada antes de qualquer coisa é individual. Nascemos e morremos sozinhos. Temos uma missão de alma única e exclusiva e que diz respeito a cada um de nós. Dessa forma, nesse processo de se equilibrar nas nossas relações, precisamos ter em mente de verdade quais são os nossos valores, qual é o caminho que faz sentido para cada um de nós, para que quando fizermos nossas concessões e flexibilizações, isso não nos gere processos de desrespeito a nós próprios e não nos impacte em algo que nos importa profundamente. Assim como, que não façamos algo somente porque não conseguimos desagradar o outro, porque não aprendemos a dizer não, por medo de sermos rejeitados, abandonados ou não valorizados (medos comuns que nos fazem frequentemente sermos incoerentes).  


 Vamos a um exemplo para ficar mais claro como podemos equilibrar a nossa coerência com aquilo que importa para o outro. Suponhamos que uma mulher não esteja com disposição e vontade de ir ao final de semana visitar a família do seu marido. Dessa forma, para ela ser coerente, ela deve comunicar ao seu marido do seu sentimento e da sua vontade perguntando para ele se tudo bem se ela não for e que ela irá em algum próximo, mas que neste ela estava precisando de um tempo para si. Se por acaso o marido entender, ótimo, se não, e ele comunicar que é realmente muito importante para ele que ela vá nesse  final de semana, para ela permanecer coerente, ela vai precisar fazer uma mudança de pensamento em relação a ir no final de semana. 


É muito importante, apenas, que ela não vá com a sensação de “não queria estar indo".  Portanto, ela vai precisar mudar seu pensamento de “eu não gostaria de ir” para “eu decidi ir porque isso importa muito para a pessoa que eu amo, então isso também importa para mim”. É natural e importante que possamos ter esta flexibilização mental, desde que a regra não seja sempre somente eu flexibilizar, e que o outro também possa flexibilizar e entender quando eu quero fazer alguma outra coisa, porque é importante para mim. É necessário e fundamental equilibrar o que é importante para mim e o que é importante para o outro. E esse é o jogo lindo e paradoxal entre saber ser às vezes “egoísta e se priorizar” e às vezes praticar o altruísmo e a disposição para o outro. Na medida certa, os dois pólos são muito importantes. 


Para recapitular mais uma vez, a incoerência seria: ir sem querer ir, PENSANDO que eu não gostaria de estar fazendo aquilo mas pensando que TENHO que ir, pois se eu não for, posso decepcionar alguém ou deixar de cumprir algum papel que estipulei que é um valor para mim como “ser boazinha, dar conta, ser querida, estar sempre disposta”. Isto ressona com você?  O mais importante é nos colocarmos em coerência a nível de pensamento, mesmo que em alguns momentos precisamos fazer algumas coisas que não gostaríamos tanto. Uma chave aqui é sempre nos alinharmos com aquilo que é importante para nós, nos conectarmos com os nossos valores. Mas o que nunca deveríamos fazer é perpetuar estados de TENHO QUE fazer isto mesmo sem vontade, TENHO QUE me comportar desta forma porque dizem que é o correto.


Além disso, você pode estar pensando, mas ma, como eu sei se estou agindo com coerência? Bom o primeiro passo na verdade é fazer o inverso, é observar onde estão nossos pontos de incoerência. E como eu posso saber? Normalmente onde existem pontos de sofrimentos, ali existem pontos de incoerência. Simplesmente analisando onde não estamos fazendo aquilo que de fato gostaríamos de estar fazendo, onde nossos valores e nossas ações estão indo para direções opostas, onde e em que momentos vamos a um lugar que não queríamos ir, quando fazemos escolhas para não desapontar pais, maridos, mulheres, familiares, chefes, amigos etc; quando temos um hábito que é simplesmente o oposto daquilo que desejamos para a nossa vida, quando não fazemos algo mas sabemos que seria bom e importante fazer para a nossa saúde mental, física ou financeira, entre diversos outros exemplos. 


Além disso, não tem como falarmos sobre coerência emocional sem falarmos de crenças, que são nada mais do que conjuntos de pensamentos e ideias frente a algo, e que estamos a perpetuar, muitas vezes, por anos, décadas ou gerações, em relação a alguma ideia que acreditamos ser verdade. E estou mencionando isso pois, deixamos muitas vezes de fazer algo que gostaríamos de fazer, dizemos recorrentemente sim quando queremos dizer não, quando acreditamos (baseado em crenças) que aquilo é o certo a se fazer, mesmo que isto implique não estarmos em paz consigo.


Se auto-indague:


O que você faz constantemente sem se questionar se isso realmente é o que você quer fazer? 


E por que faz o que faz?


 E o que você acredita que iria acontecer se parasse de fazer  isso ou se começasse a fazer outras coisas? 


Quem você acha que poderia desapontar?


Portanto, é de fundamental importância observarmos e nos auto-indagarmos frente a nossas crenças que perpetuam nossos estados de incoerência e nos QUESTIONAR se estas crenças ainda estão a nos servir ou se não há uma outra maneira de se pensar frente aquela situação que esteja mais de acordo com o que estou a viver agora. Será que você realmente tem que fazer isso? Não pode ser de outra maneira?


Portanto, precisamos começar a criar, portanto, uma nova mentalidade, um novo conjunto de crenças e hábitos que estejam mais de acordo com a vida que desejamos viver baseado nos nossos valores, não nos valores de nossos pais, avós e por aí vai. E para ficar bem claro: nem toda crença passada de geração em geração é ruim, pelo contrário, muitas delas são boas e funcionais. Estou especificando aqui sobre aquelas que geram sofrimento, incoerência e, portanto, não funcionam mais. Dessa forma, fique com aquilo que foi passado que é bom e funciona, e mude o que não funciona mais. 


Perguntas que me direcionam para a minha coerência: 


O que de fato é importante para mim?


O que me dá paz?


Estou alinhado com aquilo que é importante para mim?


Isto que estou fazendo se aproxima com aquilo que desejo me tornar?


Tenho como mudar minha percepção frente a isto e me colocar em coerência mesmo que isso possa me gerar o desconforto de estar desagradando?


Perguntas que me levam para pontos de Incoerência:


Para que estou fazendo algo que não gostaria de estar fazendo?


No que acredito que me faz fazer algo que não gostaria de estar fazendo?


Onde estão os meus "TENHO QUE" que nem questiono?


Além disso, e para ir finalizando, acredito que poucas pessoas foram criadas para serem livres, para serem quem elas de fato desejam ser. Desde que estamos na barriga da nossa mãe, já existem expectativas de como seremos e como deveríamos ser. Já nascemos vinculados com o desejo egoico do outro. Por isso, sentimos tantas culpas por sermos livres, por desapontamos, por nos liberarmos para simplesmente sermos quem desejamos ser - de momento a momento. Dessa forma, uma das nossas grandes metas, na minha opinião, é nos libertarmos das imensas culpas que carregamos, pois são justamente elas que nos levam a fazermos coisas que não gostaríamos de fazer.


Aprender a lidar com as nossas culpas, pouco a pouco e ir liberando-as é um processo para uma vida toda, requer muito treino e dedicação e principalmente muita vontade de fazer diferente. No começo pode gerar muito desconforto, mas depois, aos poucos, vamos nos acostumando a lidar com os nossos sentimentos que geram mais desconforto, sabendo da  onde eles vem, e permitindo que eles não nos dominem, pois começamos a sentir o gostinho de sermos livres. 


Dessa forma, para construir uma vida valorosa precisamos de verdade nos dedicar. Nos dedicar a nos conhecer, a entender o que faz sentindo para gente, o que não faz mais, de compreender quais são os nossos valores norteadores de vida, assim como precisamos compreender quais são as nossas crenças que nos impedem de ser coerentes e, então, começar a construir uma nova mentalidade. Assim como,  nos exige que temos muita coragem para desagradar, para nós priorizar e também muita sabedoria para entender quando flexibilizar. E para finalizar, que possamos todos os dias nos lembrar de  ir liberando as nossas culpas uma a uma, começando pela culpa em ser feliz e livre, mesmo se pessoas que amamos e que vieram antes de nós não puderam ser. É um trabalho contínuo e sem fim de evolução, mas que com certeza vale muito a pena.


Te desejo, uma boa jornada em busca de uma vida mais repleta de valores, significado e coerência para você,


Com amor,

Marcela

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