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Arquétipo materno

Atualizado: 16 de mar.

Parte II,

Bienvenidos novamente mis queridos,


Me alegra estar novamente aqui para dar continuidade, como combinado, a esse tema tão complexo e constituinte para todos nós. Agradeço os feedbacks que recebi e sim, sei que o texto foi denso e extenso, pero caminhos fáceis não nos levam para longe. Se quisermos realmente nos comprometer com o nosso processo de autoconhecimento precisamos mergulhar de cabeça sem medo nas nossas águas profundas. Dessa forma, esse texto tampouco será curto, requer 15 min do seu tempo, e também trará a sua dose de complexidade, visto que compreender de fato nossas raízes e padrões estabelecidos é a base para qualquer processo verdadeiro de transformação.


Além disso, se por acaso você abriu sua caixa de e-mail agora e começou a ler esse texto sem ter lido o primeiro, diferente de todos os outros textos, esse sim tem uma continuidade e, para ter uma melhor compreensão, o ideal seria voltar e ler a primeira parte, mas para quem já o fez, vamos relembrar algumas coisas.


Raymond Douillet - The Fates - Les Parques


Entonces, adelante mis queridos, hoje vamos adentrar nas águas profundas chamadas nuestras mamas. Como mencionado no outro artigo, já sabemos como seria uma energia feminina em equilíbrio e um arquétipo mãe saudável e o quanto isso é imprescindível, juntamente com o arquétipo pai, para termos um bom desenvolvimento humano. Porém, hoje vamos discorrer por perfis maternos que acabam se estabelecendo e não são saudáveis (lembrando sempre que todo esse processo é inconsciente e mesmo quando as mães erram, elas erram tentando acertar). Além disso, isto é tão importante compreender pois quando temos esses perfis de mães é comum elas serem tão devoradoras e, dessa forma, impedir que o pai entre e faça o papel dele como é devido.


E é somente quando estamos prontos para seguir o nosso caminho de individualização e começar a nos desapegar dos valores que estão vinculados com a nossa mãe, é quando entramos em contato com o arquétipo paterno. Jung afirmou que uma das muitas funções do pai é proteger o indivíduo do mundo externo mas ao mesmo tempo direcioná-lo para a vida, justamente para compensar a proteção do mundo interno fornecida pela mãe.


O complexo materno é o ponto onde praticamente todas as dificuldades que experimentamos em nossa vida atual começam. A mãe, para todos nós, é a origem da nossa vida, é o espaço de onde damos as boas vindas ao mundo. É a pessoa que nos dá o nosso primeiro alimento, tanto físico quanto emocional. Respiramos seus estados internos, aprendemos com as suas ações, lemos seus pensamentos e fazemos tudo ao nosso alcance para sermos aceitos e queridos. Nossa sobrevivência depende dela e, portanto, ela tem o poder de nos dar a vida como, à sua sombra, o poder de “tirá-la de nós”.


Digo “tirar” entre aspas porque existem muitas maneiras de prevenir o desenvolvimento de uma criança e impedi-la de viver uma vida plena. O primeiro problema que enfrentamos é a crença que as mães são “tudo de bom” ou que “tudo o que elas fazem é para o nosso bem”. O que faz é fechar as portas para ver objetivamente quais são os erros e comportamentos tóxicos de nossa mãe. Muitas pessoas não têm equilíbrio pessoal suficiente para exercer esse papel e acabam gerando adultos com personalidades completamente deficientes e incapazes de realizar bem-estar em suas vidas.


Em qualquer processo de desenvolvimento saudável é necessária uma fase de projeção negativa que permita o fato de separe-se da “grande mãe”, também conhecida como a "mãe devoradora" ou o arquétipo da "bruxa" nas histórias infantis. Esta fase de projeção negativa nos permite ver em nossa mãe aspectos desagradáveis ​​e nocivos que gerem espaço suficiente para nos encontrarmos e crescermos em um estado independente. Muitas pessoas nem chegaram a esse estágio, ainda estão em um estado primitivo de admiração e reverência por seus pais que os impede de chegar ao mundo adulto.


Nos pontos seguintes observaremos diversos tipos de maternidade que costumam ser representativos dos complexos maternos mais comuns. Antes de começar, é importante esclarecer que nem todos os comportamentos são exclusivos de um único perfil, então você poderá ver diferentes características dos perfis em diferentes categorias. Por outro lado, também é interessante que você não limite o complexo apenas para suas mães biológicas, os pais também podem representar qualquer um desses perfis em suas vidas. O importante é a polaridade que ocupam, pois embora seja verdade que normalmente o papel materno está mais relacionado ao sexo feminino, também vemos em muitos casos, inclusive explicado no texto anterior, que o homem também pode exercer essa polaridade, ou simplesmente alguns comportamentos podem ocorrer em nosso pai e outros em nossa mãe.


As mães com o arquétipo da devoradora são:


A mãe fria

A mãe com rechaço ao masculino

A mãe que gera o boicote a felicidade

A mãe superprotetora


Esse perfis sempre têm o mesmo ponto em comum que é mães com comportamentos tóxicos e que geram um tipo único de vínculo onde o foco de atenção não está na estabilidade emocional do filho, mas na sua própria satisfação de feridas internas nunca curadas e compreendidas, e claro, sem elas terem, na maioria dos casos, consciência disto tudo.


Às vezes, apenas com um olhar, a mãe devoradora pode nos congelar e sentimos que o seu olhar de descontentamento e/ou desaprovação é suficiente para tornar seu julgamento claro e isto provoca em nós um estado de desconforto e desvalorização. Essa paralisia por nos sentirmos desvalorizados ou desaprovados podem ser arrastadas até idade adulta e em muitos casos não seremos capazes de tomar certas decisões ou nos expressar como precisamos, simplesmente pelas marcas que nossa mãe gerou em nós desde o início da infância.



A mãe devoradora fria


A mãe fria tem uma qualidade principal que acaba afetando seus filhos, que é uma presença ausente ou é emocionalmente inacessível. Em um nível fisiológico, podemos ver alguém com uma expressão facial séria, antipática, distante, ou simplesmente que dificilmente muda ou transita entre diferentes emoções. Estamos falando de uma pessoa provavelmente machucada com o mundo por acontecimentos do passado e que é incapaz de se conectar com um senso de humor. A mãe fria está desconectada de os atributos do arquétipo materno, como ternura, empatia ou amor incondicional. Se levarmos em conta os aspectos que temos em nosso inconsciente sobre como "deveria ser uma mãe”, é provável que seja alguém completamente oposto à imagem de frieza. Este perfil de mãe costuma ter pouco contato físico com os filhos, não procuram espaços para conversar ou brincar e acabam por exigir de seus filhos um amadurecimento que os faz se sentirem desconfortáveis ​​pelo simples fato de não poderem agir como crianças.


Quando vivemos em um ambiente familiar marcado pelo caráter da mãe fria, podemos chegar a sentir falta de calor em nosso mundo adulto, bem como um sentimento de solidão, tanto quanto sentir que estamos sozinhos, mesmo quando estamos acompanhados. Há uma sensação estranha em relação a não ter permissão para receber o calor das relações que geramos e tendemos sempre a rejeitar qualquer demonstração de afeto. Podemos até inconscientemente boicotar relacionamentos que podem ser pleno para nós pelo simples fato de não nos desligarmos do mundo interno da nossa mãe com o intuito de buscar esse afeto inacessível que nunca foi dado.


Podemos encontrar mães que decidiram abrir mão de suas profissões, sonhos e paixões como preço pela sua maternidade, ou também outras que combinaram sua maternidade com sua vida profissional/pessoal, mas com alto grau de estresse. Essas mães podem acabar criando inveja inconsciente - que vai para as suas sombras - em relação às crianças. Essa inveja será sustentada pela crença de que tudo o que as crianças possuem é consequência de seu próprio esforço: "Eu me sacrifiquei por você", "por sua causa não sou quem eu queria ser". Ao chegar à adolescência, as crianças devem tomar uma decisão sobre sua maturidade e independência e existe aqui uma dificuldade em conseguir separar-se emocionalmente da mãe e assumir sua própria vida e, portanto, muitas vezes os filhos podem se encontrar presos em um conflito que imobiliza suas energias e seus projetos como pessoas independentes.


A mãe devoradora com o rechaço com o masculino


Esse perfil se estabelece quando uma mulher teve uma experiência traumática com um homem e esta informação pode estar sendo transmitida de geração em geração por muitas de nossas avós ou mães devido a comportamentos diferentes dos homens da família. Não necessariamente devem ser maus tratos, podem ser abandono, anos de alcoolismo, ausência em casa, negligenciar o cuidado de seus filhos, ou em casos mais serios envolvendo castástrofes provocadas pelo sexo masculino. Muitas dessas histórias nem estão relacionadas diretamente conosco, mas com aquelas que vieram antes de nós, mas mesmo assim, o ódio e o ressentimento estão na nossa sombra sem termos consciência disso. Algo que pode acontecer nesse perfil, é mulheres que se desconectam da sua beleza e feminilidade para rejeitar o homem com um simples olhar.


Este perfil tende a rejeitar qualquer indício de masculinidade e procura cercar-se de homens complacentes e submissos que não representam risco, com uma sexualidade castrada e/ou ausente emocionalmente. Transmitirão a suas filhas a liberdade e a independência dos homens como base essencial para a sua felicidade e podem criar seus filhos para serem "homens perfeitos", para que compreendam e sejam empáticos com tudo o que uma mulher precisa e, dessa forma, podem ficar completamente desconectados de suas próprias necessidades e instintos primários. Eles se tornarão homens cujo único objetivo será fazer sua mãe/mulher feliz.


Quanto à figura do pai nestas dinâmicas, o mais comum é que ele seja ausente, pode ser fisicamente e/ou emocionalmente. Nessa idade é comum que ocorram divórcios, pois esse perfil de mãe quer ter seus filhos sempre ao seu lado curando suas feridas. Contudo, se o pai estiver em casa, ele pode estar totalmente ausente em nível emocional ou simplesmente desacreditado em suas opiniões.


Se o filho decidir se conectar com a sua masculinidade e expressar algum julgamento em relação a sua mãe ou simplesmente abrir a oportunidade para que ele seja feliz, perdoe e integre o masculino dentro de si, isto irá gerar um descontentamento importante da mãe para que o filho se sinta culpado e volte ao comportamento inicial. Quanto à filha, a mãe pode querer boicotar seus relacionamentos, pode opinar ou interferir na vida conjugal da filha dizendo frases como “esse não é para você”, “ele não é bom o suficiente” para que assim nunca se quebre o vínculo inconscientemente que vem se mantendo. É comum nesse perfil criar a síndrome do príncipe azul nas filhas, pela busca de um masculino ideal que não existe. Em geral, a "hipnose" a que foram submetidas fará com que evitem qualquer vislumbre de masculinidade em um casal, assim como podem buscar homens complacentes ou podem não querer ter um parceiro e elas próprias se polarizaram para o masculino.



A mãe devoradora que gera o boicote à a felicidade


Os benefícios secundários da pessoa que sempre vive a vida como uma tragédia são muitos. Há pessoas que não receberam a atenção que precisavam quando crianças e quando começam a receber de alguém, dificilmente largam esse papel. Esse perfil de mãe coloca seu estado emocional no centro do universo familiar e todos giram em torno dele tentando curar as feridas que nunca deveriam ter existido, em suas percepções. Nesse arquétipo é mais do que evidente o papel de vítima que a pessoa se coloca. Elas explicam seus problemas, se irritam com o mundo, se sacrificam constantemente pelos outros e sentem que não recebem nada em troca”. Esse perfil de mãe já se tornou viciado em receber atenção e moldou sua personalidade em torno disso. Se não for um problema será outro, mas nunca deixará de viver nessa polaridade e quando oferecemos algum conselho para mudar sua vida, ela muda de assunto ou diz frases como: "Para você é muito simples, mas você não está na minha pele". Claro, quando paramos de cuidar e ou dar atenção, elas usarão todas as estratégias possíveis para nos fazer sentir culpados pelo que estamos fazendo com elas e, se possível, colocarão todo o nosso sistema familiar contra isso. É comum o resto do sistema familiar serem formados por pessoas sem nenhum tipo de auto-estima, absolutamente absorvidas por esta personalidade e acostumados com o tipo de vida que levam há anos.



Nossos esforços serão contínuos para alcançar a felicidade da nossa mãe. Nós seremos bons alunos, bons filhos, manteremos contato contínuo com ela para saber como ela está, nós nos preocuparemos com seu estado de saúde, suas necessidades, estaremos interessados ​​em suas anedotas diariamente, tanto positivos quanto negativos, e podemos até limitar nosso desenvolvimento pessoal por não deixá-la "sozinha" no sentido de viver sempre com ela. É comum acontecer de os filhos às vezes terem dificuldade de ter parceiros estáveis, não ter filhos ou não se permitir serem felizes ou bem-sucedidos. A premissa é: como vou ter o direito de ser feliz se a minha mãe também não estiver? O menino ou a menina que conviveu com um perfil de mãe assim, sempre terão a sensação de que não têm "permissão" para viver uma vida plena até que sua mãe seja feliz. Ela vem em primeiro, nós ficamos em segundo plano. Até porque, devemos nossa vida a ela, não é mesmo? Esse é um pensamento implícito para a maioria das pessoas sem mesmo sabermos disso.


Não compreendemos que quando estamos presos nessas histórias, a melhor maneira de honrar nossos pais é continuar a história de maneira diferente, é fazer tudo aquilo que eles não puderam ou não souberam fazer, mesmo que isso implique por um tempo eles nos odiarem. No fundo, a essência deles, não o ego, sabe que o melhor a ser feito é seguir o nosso próprio caminho.


A mãe devoradora Superprotetora


O perfil da mãe superprotetora é quando a mãe mantém o instinto protetor de cuidar em excesso, como é necessário nos primeiros meses e anos de vida, mas permanece com esse cuidado em excesso no desenrolar da vida dos filhos. Existe uma não aceitação que os seus filhos estão crescendo e que eles é quem precisam aprender a atender às suas próprias necessidades. É um amor em excesso e que se manifesta de maneira equivocada.


O perfil de mães nas filhas causa um aumento do feminino. A exaltação do feminino significa um fortalecimento de todos os instintos femininos, especialmente instinto materno. O aspecto negativo de tudo isso é representado por uma mulher cujo único objetivo inconsciente é procriar, obtendo seu valor pessoal por poder "tornar-se mãe" e, desta forma, também cuidar e proteger e continuar esse mandato interno. O homem nesses casos se torna quase um acessório; é fundamentalmente um instrumento de procriação (de novo: isto é inconsciente) ou para trazer segurança financeira. Em casas com mães excessivamente superprotetoras, a energia masculina é absolutamente proibida. Os pais estarão emocionalmente ausentes, trabalhando o dia todo ou, se estiverem em casa tentando educar, serão desautorizados em sua forma de educar. O objetivo inconsciente é muito simples: “se eu não deixar entrar nenhuma outra voz na mente dos meus filhos, eles sempre estarão ao meu lado".


Não precisamos ir muito longe para encontrarmos um perfil de mãe superprotetora e no caso do filho homem, a mãe acaba raptando inconscientemente este filho como o amor da sua vida, normalmente como uma forma de compensar e ocupar o homem da casa que normalmente esteve ausente. Esses filhos homens quando crescem podem procurar um perfil de mulheres permissivas e atenciosas como a mãe e que sempre precisam de cuidado e compreensão da mesma forma que a sua mãe o fazia.


Mães superprotetoras não permitem um bom desenvolvimento do ego estruturante dos seus filhos e estes quando crescem acabam desenvolvendo uma personalidade mais imatura e comportamentos que não são eficazes e com muita dificuldade de terem limites, respeitar regras, leis, figuras de autoridade. Aqui os filhos podem também se tornarem pessoas muito mentais, pois encontram no intelecto uma maneira de escapar do controle de sua mãe. Como consequência, distanciam-se mentalmente da realidade e ao entrar em um mundo de fantasia, mais uma vez perdem o contato com a energia masculina que seria ir para vida, encarar os desafios, usar os instintos e ter vitalidade para agir. Existe aqui uma dificuldade evidente de ir para a vida, construir sonhos, perseverar nos caminhos escolhidos; a resiliência de cair, levantar, aprender e seguir.





Deaht and rebirth - Raymong Douillet



"Seus filhos não são seus filhos

São filhos e filhas da vida que almeja a si mesma.

Eles não vêm de você, mas através de você e, embora estejam com você, não pertencem a você.

Você pode dar a eles seu amor, mas não seus pensamentos,

Bem, eles têm seus próprios pensamentos.

Você pode hospedar seus corpos, mas não suas almas,

Porque vivem na casa do amanhã, que você não pode visitar nem em sonhos.

Você pode se esforçar para que eles sejam como você, mas não tente fazê-los gostar de você porque a vida não volta atrás, nem para no ontem.

Você é o arco do qual seus filhos, como flechas vivas, são disparados [...].

Deixe a inclinação em sua mão de arqueiro ser a felicidade que ela precisa ser"

(Gibran, 1923).



Como lidar com o complexo materno: Liberdade emocional


A liberdade emocional geralmente não é fácil. Na maioria dos casos, isso significará um estágio de estresse na forma de ressentimento, culpa, censura e até agressividade por parte de nossa mãe. Para saber até que ponto uma mãe pode ser agressiva basta fazer algo que vá contra ela e suas leis estabelecidas desde muito cedo. Pode ser algo tão simples como encontrar um parceiro sem dizer a ela, pensar em se mudar de cidade sem avisar ou, mais simples, parar de ligar em um dia da semana que era rotineiro.


As reações quando isso acontece podem ser dos tipos mais variados, por exemplo: Uma voz áspera pode surgir de repente quando se dirige a nós para nos repreender pelo que estamos fazendo, podem nos ignorar e mudar de assunto depois que dizemos algo que ela não gostou, assim como em alguns casos mais drásticos, pode acontecer um papel de vítima tamanho ao ponto de chorar para que percebamos a dor que a nossa decisão está lhe causando (ja vi casos assim na prática clínica) ou também podem simplesmente decidir nos punir com silêncio e um olhar reprovador. Em todos os casos, o que sentiremos é um grande desconforto por alterar a estabilidade emocional de nossa mãe e, se não formos firmes e conscientes disso, podemos rapidamente voltar aos nossos comportamentos originais.


Enfrentar a mãe devoradora requer um alto grau de compromisso conosco e um alto grau de escuta de nossa própria voz interior, já que esta não é a única voz que pode boicotar nosso desenvolvimento, visto que ela pode influenciar outras pessoas do nosso sistema familiar e que são importantes para nós.


Além disso, outra coisa que precisamos estar atentos para realizarmos a nossa liberdade emocional: Alguns comportamentos de nossa mãe, como comentamos anteriormente, são muito evidentes na sua toxicidade, mas outros podem passar despercebidos e esses são os mais perigosos. Por passam despercebidos, podemos nem estar cientes de como eles estão nos afetando ou que podemos suportá-los por mais tempo sem ousar fazer as mudanças que realmente queremos em nossa vida. São frases, como:


Colocar a criança como eixo de sua estabilidade emocional:

"Graças a Deus eu tenho você, você é a pessoa que mais me apoia quando eu preciso".

"Você é o amor da minha vida, você é a minha principal fonte de felicidade, não sei o que seria de mim sem você".


Usar a criança como mediadora nas discussões conjugais ou com o restante da família família:

"Olha o que o seu pai fez comigo, ele é a fonte da minha tristeza, olhe para ele, sempre faz o mesmo comigo".

"Pode dizer a seu pai para ele fazer isso…, pois ele nunca me ouve e ele te escuta".

“Seu irmão chegou em casa bêbado ontem e eu não sei mais o que fazer".


Quebra dos sonhos dos filhos ou retirada de força interna:

"Você realmente acha que vai conseguir viver disso?... Bem, se você diz...".

"Eu também tive muitas ilusões quando mais nova e olha no final como eu terminou, já é hora de você parar de construir castelos de areia no ar e viver a vida que você precisa viver, não sonhe tanto”.


Mudar de assunto quando falar algo importante para você:

"Sim, filha, sim, aham entendi, mas ajuda-me a pôr a mesa, por favor,..."

"Bem, agora que você mencionou, isso já aconteceu comigo também e não foi nada demais…"

Incutir medo em você:

“Cuidado se você viajar, eu ouvi falar que é muito perigoso aquele país, não é melhor você não ir?”


Dessa forma, enfrentar essas formas mais sutis e também as mais evidentes da "mãe devoradora", portanto, significa ser capaz de suportar o desconforto que eles vão gerar a partir das nossas decisões e não recuar. Precisamos cruzar esse umbral do desconforto e ouvir pela primeira vez nossa própria voz interna. Não adianta ir para outro país, casar, sair de casa ou qualquer outra ação de evasão, se não formos capazes de desobedecer conscientemente sem se sentir culpado por isso, pois o perfil da "mãe devoradora" nos acompanhará onde formos e pode ser repassado para o chefe, sogra, amiga ou até a própria mãe que nos liga todos os dias.


Por outro lado, o que a princípio pode parecer desleal pode ser a única possibilidade de transformação e - inclusive - para todo o nosso sistema familiar. Digo isso, pois embora não devemos fazer algo para que as outras pessoas da família vejam, e sim por nós mesmos, o fato de encontrarmos nossa própria estabilidade, seguir nossa vida e nos sentirmos livres para percorrer o nosso próprio caminho pode servir de exemplo para algumas pessoas em nosso ambiente familiar para também seguirem de exemplo e começarem a seguir o seu próprio caminho - inclusive nuestra mama. Se não fizermos essas mudanças, enfrentarmos os desconfortos mais profundos e criamos as nossas próprias verdades do que faz sentido para a gente, o circuito nunca será quebrado.



Lembre meus queridos, viemos aqui para sermos nós mesmos e expressar nossa individualidade na nossa potência máxima e isso é o melhor que podemos fazer para todos os que vieram antes de nós e para os que vão seguir dando sequencia a nossa história.


Para finalizar, apesar de entrarmos em contato com algo tão profundo e denso, para criarmos coragem, se ainda isto não foi feito, para nos soltarmos das garras do dragão mamãe, como diz um professor meu, precisamos lembrar, como explicado no último texto, que se essa foi a nossa historia, era a historia que precisávamos ter passado para que pudéssemos percorrer todo esse caminho de liberdade e nesse caminho, encontrar os aprendizados e tesouros ocultos. Dessa forma, o melhor que podemos fazer para as nossas mães é olhá-las com um olhar de compreensão, não nutrir nenhum ressentimento e saber que elas fizeram o papel que precisavam em nossas vidas. E sim, elas sempre fazem o melhor que podem, e lembrem: o verdadeiro perdão e compreender que não há nada a ser perdoado.


“Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo.

Olha para trás, para toda jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.

Somente ao entrar no oceano o medo irá desaparecer, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar- se oceano”.


Adelante meus amores, até a parte III, para finalizarmos essa jornada materna e paterna.


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