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Para que estou repetindo novamente esta situação na minha vida

Atualizado: 5 de ago. de 2023





Quem nunca sentiu aquela sensação de frustração, raiva ou até mesmo de tristeza de se ver mais uma vez vivendo alguma situação em sua vida que lhe é familiar e que não gostaria de estar vivendo novamente aquela experiência?


Acredito que a maioria de nós, somos todos, de alguma forma, mesmo ainda não conscientes disto, repetidores de muitas histórias. Até porque precisamos compreender algo fundamental aqui: nossa história começou muito antes da gente. Nossa história começou junto com a história de nossos pais, dos pais deles, dos pais dos nossos avós e assim vai. E isto seria um assunto para um outro texto aqui do blog, compreender nossa ancestralidade e o que é passado através das gerações. Aliás o estudo da epigenética conductual já comprova muito isso também, porém hoje aqui, vou apenas me deter em compreensões mais práticas de como podemos trazer um novo olhar para aquilo que repetimos continuamente em nossas vidas.


Uma mulher de 28 anos começa a sair com um carinha. No início tudo parece bem, tiveram uma conexão muito forte e estava tudo "uau". Ela agora sente que “UFA” finalmente encontrou o amor da sua vida. Passa um mês e as coisas começam a esfriar, passam-se dois e ele acaba com ela e ainda soube que ele já estava inclusive saindo com outra garota. Esta mulher, que é linda, tem o seu trabalho, cheia de vida, de hobbies e amigos, fica mais uma vez acabada e pergunta para si mesmo: O que eu faço de errado para que nunca dê certo? Estou novamente na mesma situação de sempre.


Uma mulher de 35 anos que aparentemente tem a vida que é o objeto de desejos para muitos, tem seu trabalho, seu marido e dois filhos pequenos. Porém, ela se sente constantemente esgotada, para além das questões de filhos e família, sua maior fonte de estresse vem do trabalho. Ela sempre se depara com chefes, ou figuras de autoridade, que não a respeitam e o seu sentimento constante que ela tem e de não ser “levada em conta”. Esta mulher faz em demasia as coisas, está sempre disposta e pronta para ajudar, mas o seu sentimento constante através daquilo que ela projeta é: nunca nada o que eu faço é bom o bastante e minha voz não é levada em conta.



A primeira pergunta que precisamos fazer é: para que estou vivendo isto novamente?


E o segundo pensamento que precisamos ter é: Não vamos conseguir nenhum resultado eficiente de compreensão, se continuarmos achando que somos vítimas de acasos da vida e continuarmos buscando culpados fora pelas situações que nós estamos experienciando. Não estou falando que situações difíceis não acontecem. Pelo contrário, acontecem, e muito. A vida é repleta de desafios e, muitas vezes, chegam até nós de maneira avassaladora sem nenhum controle. Portanto, a mudança de paradigma aqui proposta é compreender a nossa parte de responsabilidade sobre tudo aquilo que nos acontece, e principalmente hoje em relação aquilo que repetimos constantemente.


E para dar continuidade a esta lógica de raciocínio, gostaria de trazer uma das coisas mais importantes de serem compreendidas hoje com esta leitura: a vida não está contra nós, ela está sempre nos amparando, mesmo quando não entendemos. Falo isto pois, nestes momentos, temos a tendência de nos sentirmos isolados, separados do todo, e algumas vezes, inclusive nos sentimos quase castigados. Alguns dizem que é karma; contudo, através do ponto de vista que trabalho e estudo, não é karma, é simplesmente o umbral que precisamos passar. E este umbral é simplesmente compreender o que se repete e dar um novo significado para estas experiências.


A mulher de 28 anos referida anteriormente, passa continuamente por situações na qual ela não se sente merecedora de ser amada, pois, no fim, apresenta uma indisponibilidade inconsciente de se relacionar. Ela carrega uma crença, que já vem de gerações, que os homens não são confiáveis, e então o inconsciente dela soluciona este conflito fazendo ela não se relacionar. E por mais que ela não goste desta posição, isto é o mais seguro inconscientemente para ela. O umbral que ela precisa cruzar para ter novas projeções é ela de fato ver os homens de uma outra maneira e decidir do fundo do seu coração a confiar. O umbral que ela precisa enfrentar e observar também são todas as suas crenças mais profundas sobre relacionamento, lembrar do que ela aprendeu muitas vezes dentro de casa com os seus pais, o que ela rechaça e ressente em relação aos homens, em relação ao seu pai e escolher ver toda essa história de uma outra maneira.


Pois, vemos na tela do mundo (sempre) o que está dentro de nós. Se quisermos relacionamentos saudáveis, precisamos primeiro ser aquilo que desejamos e depois ter boas crenças e pensamentos sobre o que significa um relacionamento para nós; Se quisermos respeito, precisamos observar o quanto nós nos respeitamos; se quisermos que alguém nos aceite, precisamos observar se de fato eu me aceito como sou.


A mulher de 35 anos, por sua vez, talvez comece a viver e projetar novas experiências em relação aos seus chefes, se compreender qual a sua parte de responsabilidade para estar vivenciando esta experiência. O primeiro pensamento diferente que ela pode ter é: eu estou me levando em conta? Eu me valorizo? Como ou de que forma não estou me levando em conta? Eu consigo colocar os meus limites e sentir que eu mereço colocar eles? Esta mulher, por sua vez, tem um mandato interno (uma crença familiar) de que ela não merece expressar a sua voz e que ela deve sempre servir e ser boa (abro um parêntese aqui, já que muitas de nós mulheres, somos atravessadas por esta crença). E por mais que isto muitos de nós saibamos, romper com algo que foi aprendido não é fácil e requer muita disponibilidade interna de se permitir fazer algo diferente. Outro recurso seria observar em quais outras áreas de sua vida, como por exemplo, no casamento, ela também se percebe não colocando e impondo seus limites (se respeitar); visto que, não importa onde mexemos, a parte sempre influencia no todo. Ou seja, se ela começasse a treinar colocar limites e expressar a sua voz em outras áreas de sua vida que são, no início, mais fáceis ela teria uma repercussão também no campo do seu trabalho.


Nossos padrões de repetições são sempre chances de rever coisas ainda não resolvidas. Todos nós, de certa forma, temos coisas a ressignificar da nossa infância e adolescência e tomar decisões sobre quem queremos ser a partir de agora, a cada novo momento. E este é um processo que não pode ser revisto sem que projetamos situações que recriam semelhantes cenários aos vividos na nossa infância e adolescência. Então, ABENÇOADAS as situações que se repetem para que possamos ter a chance de ver alguma coisa de maneira diferente.


Os nossos maiores desafios e estresses trazem os nossos maiores aprendizados e nossas chances de renascermos - ainda em vida. Carl Gustav Jung já dizia, “ é na sombra que está o outro”. Desta forma, para ir integrando e finalizando, precisamos compreender o que a vida espera de nós em cada situação, ao invés de compreender o que a gente espera da vida, parafraseando Victor Frankl, um grande psiquiatra criador da Logoterapia, a terapia do sentido da vida. Ou seja, o que nós precisamos mudar em cada situação que se repete, tanto na forma que estamos percebendo isto, quanto que ações diferentes vamos ter a partir disto.



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