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Fazendo as pazes com o fracasso

Atualizado: 21 de fev.




Boa noite meus queridos, 


Apesar de estar com uma lista de temas que me pediram para começar a escrever, principalmente sobre alguns transtornos mentais, decidi fazer o texto de hoje sobre um tema que todos nós, em algum momento, podemos já ter vivido: o medo de fracassar. 


Motivei-me para escrever este texto depois de uma sessão muito bonita de terapia que tive hoje com uma cliente, que é extremamente talentosa, criativa e com muitas outras qualidades em seu trabalho, mas tem importantes dificuldades de expor o seu trabalho por medo de não ter o resultado que espera, por medo de sentir que é uma farsa e um fracasso.  E essa é somente uma das muitas histórias que escuto de muitas pessoas que precisam primeiro ter certeza que não irão falhar e serão reconhecidas para depois se colocar no palco de suas vidas ou, como diria Theodore Roosevelt, se colocar na arena de suas próprias vidas.


Já no embalo desta citação, quero iniciar o texto de hoje, com o seu texto que sempre me inspirou e me encoraja a enfrentar meus próprios medos e desafios quando preciso ir para a arena da minha vida:



O homem na Arena 


  Não é o crítico que importa

Nem aquele que aponta quando o outro tropeça

Nem aquele que diz que o outro devia ter agido diferente

O mérito é do homem na arena

Aquele com o rosto sujo de poeira, suor e sangue

Que se empenha, que erra

Que fracassa, uma, duas, três, quatro vezes.

Aquele que, no final, embora conheça o triunfo da vitória pode até fracassar, mas se arriscando a ser imperfeito.




Este texto realmente toca muito a minha alma pois ele faz a gente relembrar o que realmente importa. Ele faz a gente relembrar que quem não se arrisca, não vive a sua vida plenamente. Pois, quando nos protegemos do risco, também nos protegemos dos sentimentos e experiências boas que podemos viver e que só viveremos se tivermos na arena da vida. É como uma pessoa que tem medo de se machucar em relacionamentos amorosos, por traumas passados, e acaba ficando indisponível para se relacionar pois não quer viver de novo a dor já vivenciada. Dessa forma, esta pessoa pode até ficar protegida da dor, mas ela também se protege e deixa de viver as coisas boas que se tem em estar em um relacionamento: o afeto, a intimidade, o companheirismo, a troca, o amor. Só quem se abre para se relacionar, independente se vai se machucar em algum momento, sente essas sensações. 


Além disso, e este ponto perpassa mais um problema da modernidade líquida na qual vivemos, termo introduzido pelo sociólogo por Zygmunt Bauman, que descreve a era na qual vivemos como um momento de transitoriedade e fluidez nas relações sociais, identidades e instituições. Caracteriza-se por relações menos estáveis, que favorecem o individualismo e principalmente gera uma cultura de gratificação instantânea. Queremos tudo para a-g-o-r-a e estamos perdendo um pouco a noção da lógica do esforço para chegar onde desejamos. E apesar da teoria de Bauman ser bastante conhecida devido a liquidez e fluidez das relações, esse conceito também serve para compreender que vivemos uma era no qual esquecemos que as conquistas e o sucesso levam o seu devido tempo. Por isso, também temos ainda mais medo de fracassar, pois não toleramos o processo de aprendizagem que envolve cada coisa que nos engajamos. 


Somos uma sociedade fast-food. Queremos já dominar um assunto, sendo que não paramos muitas vezes horas e horas a fio para nos dedicarmos e estudarmos. Construir uma carreira sólida leva tempo e muito processo de aprendizado. Queremos respostas rápidas, queremos castelos e cenas de filmes, mas muitas vezes não temos base sólida para vivenciarmos esse conto de fadas. Precisamos nos conectar mais com o real e não com o imaginário. O imaginário nos dá esperança, porque nos conecta com os nossos sonhos, mas o real nos conecta com o processo, nos faz sermos mais humildes e conscientes do tempo que precisamos nos dedicar para vivenciarmos os nossos sonhos. E para chegarmos neste ponto meus amores, eu sinto muito lhes dizer: vamos ter que aprender sim a fracassar. 


A jornada do herói, conceito proposto por Joseph Campbell em seu livro o herói das mil faces, analisa diversas histórias e encontra nelas uma espécie de técnica comum a todas as lendas, mitos e fábulas antigas. O personagem principal sempre passa por diversas fases, provações e transformações sequenciais até se tornar um herói. Este conceito proposto por Campbell traz uma metáfora para falar sobre a vida de qualquer ser humano, o herói aqui seriamos nós mesmos, vencendo as nossas batalhas, passando pelos nossos desafios, sabendo fracassar, até conseguir se tornar o autor e o herói da sua própria história. Indico muito a leitura do livro e a pesquisa sobre esse assunto para quem se interessar, inclusive. 


Dessa forma, gostaria de trazer aqui algumas perguntas para você poder refletir:


Quantos sonhos você deixou de realizar por medo de fracassar?


`Quantos sonhos você abandonou depois do primeiro ou alguns fracassos?


Quantos sonhos você não achou que era merecedor de viver e por isso não quis nem tentar iniciar por medo de falhar no meio do caminho?


Quantos caminhos você escolheu porque achou que era o correto ou o menos arriscado mas não te entusiasmavam?


Quantos projetos que brilhavam seus olhos e faziam seu coração você deixou no papel?


Quantas coisas em geral você já deixou de fazer por medo de falhar?


Quantas declarações de amor você deixou de fazer por medo de se sentir fracassado se não fosse correspondido(a)?


Quantas coisas você deixou de comunicar por medo de se expor?



Em 2015, a revista brasileira Exame, publicou um artigo sobre a importância do fracasso como caminho para o sucesso, e relatou a história de 19 renomados nomes mundiais que antes de chegarem ao sucesso em suas carreiras tiveram diversos momentos de portas fechadas, de tentativas sem êxito, de muitas quedas e de muitos recomeços. Escolhi alguns nomes para relatar aqui para vocês: 


  • Thomas Edison   Um inventor conhecido por seus muitos fracassos, bem antes de ser conhecido por seus sucessos, Thomas Edison foi considerado "muito burro para aprender qualquer coisa", de acordo com um de seus primeiros professores. No entanto, todo mundo conhece o nome do homem responsável pela invenção da lâmpada - mesmo que ele tenha feito 1.001 tentativas antes de acertar. Sua perseverança com esta invenção incorpora claramente a sua afirmação: "Eu não falhei 10.000 vezes - Eu fui bem-sucedido pois encontrei 10.000 maneiras que não funcionam."


  • Walt Disney    Até o chefe do maior império de animação do mundo teve uma fase difícil. Em 1919 ele foi demitido do jornal Kansas City Star porque "faltava imaginação e ele não tinha boas ideias", de acordo com o seu editor.


  •  The beatles Quando os Beatles participaram de um teste para a Decca Records, em 1962, Dick Rowe disse ao seu empresário Brian Epstein que "grupos de guitarra estão saindo de moda." Apesar dessa negativa, a banda de rock inglesa se tornou um dos grupos mais influentes de todos os tempos.


  •  Soichiro Honda   Quando Honda, o engenheiro cujo sobrenome deu origem à reconhecida empresa de carros, fracassou em conseguir um emprego na empresa concorrente, a Toyota, ele começou a fazer scooters na sua própria garagem. O mundo não poderia imaginar que essa época de desemprego iria levá-lo a criar um negócio de bilhões de dólares que conhecemos tão bem hoje.


  • Vincent van Gogh    Seus quadros podem valer milhões hoje, mas ninguém realmente deu muito crédito durante a vida de Van Gogh. De fato, ele conseguiu criar quase 900 pinturas em um período de 10 anos, mas ele só viu uma única vendida (que foi para um amigo, a um preço muito baixo).


  • Elvis Presley  Antes que o Rei do Rock 'n' Roll se tornasse um grande sucesso, ele foi informado pelo gerente da Grand Ole Opry, em Nashville, que seria melhor que ele voltasse para o seu trabalho como motorista de caminhão em vez de perseguir uma carreira como músico. Elvis nunca mais retornou àquele palco para outra apresentação, mas é óbvio que ele não precisava voltar para provar que Jim Denny estava errado.


  • Albert Einstein    Einstein teve um início tardio, não falou até os 4 anos e aprendeu a ler aos 7 anos. Estes desafios não o impediram de ganhar o prêmio Nobel de Física pela descoberta do efeito fotoelétrico e por desenvolver a teoria da relatividade. Sem dúvida o pessoal da Escola Politécnica de Zurique lamenta ter rejeitado inicialmente o homem cujo nome é hoje sinônimo de "gênio".


  • Claude Monet  Um dos artistas mais conhecidos do movimento impressionista, Claude Monet, não foi muito elogiado por seu trabalho enquanto vivia. Na verdade, foi exatamente o contrário, com o Salão de Paris interminavelmente zombando e rejeitando a sua arte. No entanto, hoje Monet é considerado o "príncipe do impressionismo".


Meus queridos, eu espero que você ame o suficiente a sua vida e os seus sonhos para que você se permita arriscar, falhar e cair quantas vezes for necessário. Eu espero de coração que essa mensagem possa chegar em quem precisa e talvez inspirar sonhos guardados e impulsos não dados, por achar que o caminho correto era o caminho mais seguro e não o caminho que envolvia riscos. Não quero dizer em hipótese nenhuma que todos os caminhos certos sempre envolvem riscos, está tudo bem às vezes fazermos escolhas baseada no nosso senso de segurança e dentro daquilo que está na nossa zona de conforto, mas desde que isso venha de um lugar genuíno e não pelo medo de fracassar. E pode ter certeza, se você for uma pessoa que está atento ao que sente, você sempre irá saber de qual lugar vem essa resposta. 


E para finalizar, será que uma vida de sucesso é uma vida sem fracassos ou uma vida de sucesso engloba corremos riscos o suficiente para vivermos uma vida bem vivida? Uma vida que contemple tudo o que precisamos viver, inclusive as quedas, para chegarmos até os lugares que a nossa alma almeja?


E lembrem novamente: quem não se arrisca, pelo menos às vezes, não vive a sua vida plenamente. E o caminho do êxito e do aperfeiçoamento, só acontece através de inúmeros fracassos. 


Com amor, 

Marcela. 


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1 comentário


Luis Cruz
Luis Cruz
21 de fev.

Cultivar persistência, compaixão e sobretudo esperança é o que entendo do seu texto. Fazer sem expectativa, evitando o medo do resultado. Com o objetivo em mente reduzindo qualquer desafio a um pequeno degrau apenas, apontando o olhar ao horizonte.. Muito obrigado por partilhar estas ideias, adoro a sua escrita! 🌞

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